Terremotos foram registrados nos municípios de Mato Grosso do Sul

Os terremotos ocorrem quando as placas litosféricas não resistem ao estresse do movimento, e acontecem preferencialmente em zonas de fraquezas

 Os municípios de Mato Grosso do Sul não estão isentos da força da natureza quanto se pensava. Dados do “Catálogo de Eventos Sísmicos”, fornecido pelo Centro de Sismologia Universidade de São Paulo (IAG-USP), revelaram que em março de 2017 um tremor foi registrado na cidade de Aquidauana, 131 quilômetros distante de Campo Grande, com magnitude 2,7. Em agosto de 2016, informações do Observatório Sismológico da Universade de Brasília detectaram um tremor de magnitude 3,0 em Corumbá. Conforme o Centro de Sismologia da USP, foram identificados 16 terremotos no Estado, nos últimos 12 anos. Somente no ano passado foram somados cinco eventos, contudo nenhum na Capital.




Em Mato Grosso do Sul, os municípios com a maior quantidade de terremotos registrada são Corumbá, onde já ocorreram 21 eventos, na sequência vem a cidade de Aquidauana, com 11. “Atualmente no Pantanal existem 66 registros de terremotos, dos quais 39 ocorreram no Estado”, conta o pesquisador da Fundect (Fundação de Pesquisa do Estado de Mato Grosso do Sul), Gustavo Amorim.

Especificamente em Campo Grande, fazendo uma análise dos dados do “Catálogo de Eventos” fornecido pelo IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo), pode-se perceber que não existem registros de terremotos na Capital do Estado. No entanto, apesar de a maioria dos terremotos estar localizada no Pantanal, também houve terremotos em outros lugares de Mato Grosso do Sul.

“Em 2016 ocorreu em Dourados, Nova Alvorada do Sul em 1984 e em Bonito (1979), portanto existe a chance de ocorrer na Capital, mas estatisticamente é pequena, dado o intervalo de tempo dos eventos registrados”, informou Amorim. Corumbá, apesar da liderança, tem uma extensão geográfica muito ampla: 65 quilômetros quadrados, e a grande maioria dos eventos ocorreu em regiões pouquíssimo povoadas.




Terremotos ocorrem quando essas placas não resistem ao estresse do movimento

A crosta terrestre é formada por inúmeras placas litosféricas que estão em constante movimento de afastamento ou aproximação. Conforme o pesquisador da Fundect, os terremotos ocorrem quando essas placas não resistem ao estresse do movimento, ocorrendo preferencialmente ao longo de antigas zonas de fraqueza, como a falha de San Andreas, ou ainda regiões com falhas mais novas.

Apesar de os sismos ocorrerem por movimentos naturais de placas, estes também podem ser gerados por vulcanismo ou por ação antrópica, como ocorreu na Coreia do Norte durante um teste militar, que repercutiu internacionalmente. “Os terremotos podem ocorrer em contato entre as placas tectônicas e regiões intraplaca.”

Estima-se que ocorram até 500 mil abalos por ano

De acordo com o pesquisador da Fundect Gustavo Amorim, a ocorrência de tremores de terra é diária. “Quase todo o momento existe alguma região do globo que está tremendo. Segundo dados oficiais da USGS (United States Geological Survey), serviço geológico americano, estima-se que ocorram até 500 mil terremotos por ano. Deste montante, um quinto ou apenas cem mil deles podem ser sentidos, e especificamente nos Estados Unidos ocorrem em torno de 13 mil por ano, ou seja, aproximadamente 35 eventos por dia”, contou.




No entanto, o pesquisador explica que, apesar da grande quantidade de eventos, cerca de 90% dos eventos é de baixa magnitude: escalas entre 0,1 e 3,5 –e além de não serem percebidos não causam danos. “De forma geral, desde 1900, quando surgiram as primeiras gravações instrumentais dos eventos, pondera-se uma média anual de 18 terremotos com magnitudes entre 6,0 e 7,0 e apenas um com magnitude superior a 8,0”, relatou.

A escala mais amplamente utilizada e difundida na atualidade é a escala Richter –escala de magnitude e que possui uma característica muito peculiar, conforme conta Amorim. “Normalmente as escalas são lineares (10+10+10+10), mas as escalas de terremotos não são, são logarítmicas, ou seja, possuem multiplicadores com base 10, de modo que para cada aumento de 1 grau, a amplitude das ondas sísmicas aumenta dez vezes.”

“De forma simplificada, pode-se afirmar com certeza que um terremoto de grau 7 terá ondas sísmicas 100 vezes maiores que um de grau 5 na escala Richter. No entanto, outra característica muito peculiar nas ondas sísmicas é que a energia liberada é muito maior, possuindo um multiplicador de base 32. Resumidamente, pode-se afirmar também que a cada aumento de 1 grau, a energia aumenta 32 vezes.”

O primeiro tremor registrado na terra aconteceu em 1831

Os terremotos provavelmente ocorrem desde a solidificação da crosta terrestre, estimada em quatro bilhões de anos atrás. O primeiro registro de terremoto de que se tem notícia é de 1831 antes de Cristo, ou seja, a mais de 3.800 anos atrás, mas na atualidade a quantidade de pesquisas relacionadas a isso tem aumentado de forma exponencial, pois a quantidade de sismógrafos –equipamento que detecta terremotos– disponíveis para uso aumentou muito.




“Um exemplo é a quantidade de terremotos registrados no Pantanal, que até o ano de 1990 contabilizavam oito e depois disso já totalizam 31 eventos”, disse.

De acordo com Gustavo Amorim, na busca por pesquisas acadêmicas já publicadas pode-se encontrar em torno de 300 resultados diferentes e específicos sobre a temática “Terremotos e Pantanal”, porém, apesar de parecer muito, quando se pesquisa a expressão “Vegetação e Pantanal”, o resultado ultrapassa 17 mil diferentes, mostrando e comprovando o quanto ainda se precisa avançar nas pesquisas, em especial na região do Pantanal, uma vez que a flora e a fauna se implantam sobre um terreno.

“O foco atual das pesquisas tem sido compreender melhor os mecanismos geradores de terremotos em regiões específicas do planeta e o entendimento da estruturação da crosta terrestre, tomografia sísmica”, disse.

“De forma indireta, a degradação do meio ambiente pode contribuir para o aumento da atividade sísmica”, diz pesquisador.

Na atualidade, sabe-se com certeza que a crosta terrestre é formada por inúmeras placas litosféricas que estão em constante movimento de afastamento ou aproximação, e que os terremotos ocorrem quando essas placas não resistem ao estresse do movimento e trincam, gerando reflexos na superfície. “De forma direta, a degradação do meio ambiente não causa terremotos, mas indiretamente pode contribuir para o aumento da atividade sísmica, pois a crosta terrestre tem um peso e dimensões específicos, o que gera um equilíbrio de forças e de pressão contínua sobre as placas litosféricas, princípio chamado de isostasia.”




“O equilíbrio isostático global pode ser alterado de maneira sutil, mas contínua, tal como ocorrer durante o fenômeno de aquecimento global, no qual um dos diversos efeitos é o desaparecimento de regiões cobertas por neve nos últimos mil anos”, destacou Amorim.

Conforme o pesquisador, da Fundect Gustavo Amorim, na região onde houve a perda de gelo ou neve, ocorre um alívio de peso e pressão, modificando o equilíbrio de forças, o que pode desencadear uma atividade sísmica, visto que existe uma tendência natural de se equilibrar os pesos e a pressão, por meio do processo conhecido como reajuste isostático. (AR)

 Sismos acontecem com frequência no mundo

O Brasil está localizado no interior de uma placa tectônica sul-americana e o consenso geral é de que não deveriam ocorrer grandes terremotos, segundo o pesquisador da Fundect Gustavo Amorim. Contudo, os sismos ocorrem diariamente ao redor do globo desde os tempos que remontam à própria formação do planeta Terra, e no país não poderia ser tão diferente.




De acordo com Amorim, nos últimos 30 anos, com a popularização de diversas tecnologias especiais, surgiu uma preocupação maior sobre a sismicidade brasileira, e nas diversas iniciativas que já existem, provou-se que o Brasil não é livre de tremores. “Ao contrário do que se pensava, o Brasil treme muito”, afirmou.

Os tremores no país são eventos típicos de ambiente intraplaca, acontecem principalmente na crosta superior e são, segundo Amorim, rasos: 10 quilômetros. “Isso os torna potencialmente perigosos, pois, quanto mais próximo da superfície, maior o poder destrutivo do evento. No entanto, o modelo de geração desse tipo de terremoto ainda não é consenso, mas todos se baseiam no modelo de diferentes zonas de fraqueza e de concentração de tensões, o que inclui afinamentos da placa tectônica, sobrecarga de sedimentos ou as cargas internas da litosfera”, contou.

As correlações com feições mapeáveis em superfície, como falhas geológicas e feições neotectônicas, têm se mostrado mais difíceis de interpretar e de comprovar, conforme explicou o pesquisador. (AR)

Em MS: Miranda, Aquidauana, Corumbá e outras cidades já registraram tremores

A partir do mapa de terremotos registrados no Brasil é possível perceber que os eventos se concentram em determinadas regiões do país, como no Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Especificamente, no Centro-Oeste, temos o Pantanal, ou a Bacia Sedimentar do Pantanal, considerada uma região sismogênica de ambiente intraplaca.




De acordo com Gustavo Amorim, a sismicidade e suas relações com a tectônica ressurgente, proposta por Hasui, mostram que a Região Centro-Oeste é marcada por feixes de lineamentos de direção em torno de N45º, e denominado Lineamento Transbrasiliano.

“Neste, uma megadescontinuidade poderia ser marcada por zonas de fraquezas e as indicações de movimentos de falhas transcorrentes, que podem se associar a este lineamento, que provocam constantes sismos na região”, explicou Amorim.

Neste sentido, fica evidente quando se verificam os diversos terremotos registrados no Estado, pois dois destes foram muito bem estudados e confirmados com relação a magnitude e localização, alcançando magnitudes de 5,4, no município de Miranda, em 1964, e de 4,8 em Corumbá, no ano de 2009. Ambos com profundidade aproximada de cinco quilômetros.

Os sismos de magnitudes acima de 2,0 na escala Richter, ocorridos no Estado, têm recorrência média de cinco anos e alguns já ocorreram em áreas habitadas, ocasionando danos como trincas e rachaduras nas construções, contou o pesquisador.




“É importante que se faça o monitoramento sísmico, para assim fazer análises e gerar um conhecimento mais amplo e preciso da estrutura da crosta e do manto superior no Brasil. Uma vez que se saiba mais sobre a influência da tectônica, pode-se também aumentar as probabilidades de elaborar mapas de risco sísmico e a direção dos esforços crustais no Brasil”, disse. (AR)

Pesquisador explica como amenizar os danos que os fenômenos podem causar

Os terremotos são uma força da natureza e, como as tempestades e os raios, não podem ser evitados nem previstos com a precisão esperada. Entretanto, existem medidas que podem amenizar os efeitos de um terremoto e incluem desde o modo de se comportar ao tipo de construção que deve ser feita.




“O modo de se comportar inclui a procura por proteção estrutural, tal como a oferecida por uma mesa de madeira maciça, evitar escadas e elevadores, procurando se distanciar de vidros e objetos móveis. O ideal é procurar um espaço ao ar livre, distante de árvores, postes, antenas e prédios.”

“A edificações devem seguir um padrão de construção: a Norma Brasileira 15.421, que trata especificamente de projetos usando estruturas resistentes a sismos, que, entre outros itens, estabelece o uso de determinados tipos de materiais e modelos específicos de fundação para evitar o colapso dela durante em um terremoto”, disse o pesquisador Amorim.

AGRADECIMENTOS

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul –FUNDECT, que concedeu bolsa de desenvolvimento cientifico regional registrado no Termo de Outorga (T.O.) No 140/2014, para o pesquisador - bolsista Dr. Gustavo Marques e Amorim.




A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul –FUNDECT, que concedeu bolsa de desenvolvimento cientifico regional registrado no Termo de Outorga (T.O.) No 140/2014, para o pesquisador - bolsista Dr. Gustavo Marques e Amorim.



Fonte: Jornal O Estado



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